segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O que há de novelístico ou de paródia romanesca em mim é aquilo que está na novela não por acaso, mas por sensibilidade de alguém absorto na realidade mais crua.


É bem provável que qualquer vestígio de cólera de Raskolnikov nas minhas faces amareladas seja algo além de minha essência natural, ou simplesmente quem sabe o meu modo de ter no fundo, esperança. Se me descubro no trágico de novelas e romances, o fato é na verdade, que o drama já estava previamente assentado nos meus conceitos, não é algo que trago de herança sanguínea, mas algo que por desventura adquiri dos eventos deste imenso palco onde se vive. Se é crise existencial, não surgiu por questões íntimas e pessoais, mas por força  de assuntos que não posso escolher se me dizem respeito ou não, porque indubitavelmente e inevitavelmente passam por mim todos os dias deixando perguntas e mais perguntas, e por fim, insatisfação, mesmo que haja tantos eufemismos nos jornais, mesmo que tudo hoje tente me cegar, o ultraje do mundo inteiro chega até mim. Mesmo o meu modo de ter esperança e todas as teorias para uma nova reorganização do planeta não me deixam sentir prazer em ser parte disso que forma ao meu redor, o que vejo como um vórtice gigante.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

The end

Depois da última decisão, não me resta mais aquela que fui, a última decisão que foi a despedida definitiva levou sonhos e fatos consumados, o telefone toca e ainda não tenho dignidade o bastante pra atender, é muito vil chegar-se ao ponto de admitir a própria  falta de dignidade, as cortinas vão permanecer fechadas e eu continuarei mergulhada no calor de cômodos cercados por paredes indiferentes, a pilha de livros de auto ajuda não pode fazer nada por mim, não encontro com facilidade um sentimento qualquer que se eleve, se expresse e se faça notável de modo satisfatório, sei que minha imaginação pode me salvar disso, mas não posso me esquivar do que é real, eu sonho com palavras suaves e sinceras, e nos meus sonhos a cor dos lençóis é mais viva,  sonho e  já não sei se é sonho ou deja vu, quando abro os olhos e vejo opacidade e solidão, é um choque de rigidez mórbida, as lágrimas que caem nas minhas mãos vazias formam um rio inegável de modos como devo proceder e como minha figura está patética, eu olho o teto vazio, os copos vazios, os quadros em branco, os CDs virgens, os cadernos sem os meus rabiscos, sobre minha casa parece ter um toldo de negatividade, a minha inexpressão diante da vida diz que já morri, mas a imaginação não me deixa admitir certos fatos, sem razão mas com muito amor, vivo no outro mundo que terminou, e me pergunto como podemos ser tão simplórios a ponto de criar um mundo à parte e acreditar tão fortemente no sucesso de projetos emocionais? é tão ingênuo, é tão depreciativo, mas a gente crê, e parte da gente morre quando esse mundo se acaba, e então devemos conformar com o mundo verdadeiro onde coisas suaves e sinceras são penosamente raras.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Limite

E se eu quiser acreditar em uma história que poderia ser, onde eu e você estamos sorrindo e sendo um complemento perfeito? Se eu quisesse fundo, se eu quisesse e fosse leve, mas sou densa e sou feita de substâncias tiradas dos solos empeirados de terras inóspitas, sou um pouco de todas as sensações e não sei exatamente se é infeliz esse mundo de sensações às vezes corrosivas... Mas trago um pouco de cada e cada dia uma se sobressai em minha natureza desordenada. Sou parte de água salgada e parte de algas flutuantes, sou parte de lugares tão isolados de arvores imponentes e troncos robustos, sou parte da sujeira que é feita no mundo a cada instante, sou parte daquilo que te faz feliz e no entanto firo seu coração com uma brasa desnecessária e pouco a pouco permanente, se eu pudesse acreditar em uma história minha e sua simultaneamente talvez não deixasse os sorrisos para trás com tanta frequência, e aqueles que talvez me venham na vida um dia me chegassem como uma brisa fresca de antecipação, todas as manhãs, e me levasse ar ao pulmão tão atrapalhado, que ora respira fundo, ora entrecorta o curso do ar.