quinta-feira, 7 de junho de 2012
Apague-se a luz da vida
Tenho palavras descarnadas, para triste miragem de amor.
Miragem sim! pois não há outro modo...
Triste, pois o amor desertou.
O onirismo de um amor platônico ascende vela de sonhar eterno.
De desvairar e de delírio, e de um latejar ardente,
de lembranças não vividas, de doçura não tocada,
faz-se de órgão tão imprudente, um viver desacordado.
O pressentir é estrada concreta,
se precisa de alimento a esperança.
Renega-lhe fulgor a vida ingrata,
impede-lhe a lucidez os sonhos lúcidos;
embalsamados de muda serenata,
que coração ingrato não tentou ouvir.
Sinto pesares de querer-lhe tanto,
mas o porvir me emudece inteiro.
Prezo-lhe tanto ó serenata surda,
que da bruma sinto-lhe repercutir.
Qual o pecado de face mais absurda,
é triste o desterro de amor profundo.
É triste o dizer de amor na boca descrente.
É feliz o tépido hálito de face tão pálida,
que é sopro de vida surreal e abstrato,
mas que ainda faz viver o sonhar mais triste.
Ainda que a noite seja para este corpo trêmulo
o onírico mais fecundo que na poesia pode haver,
me resta no nascer da aurora, o morrer
mais cálido de um sonho que foi seiva à planta murcha,
a que a doce inexistência foi obrigada a envolver.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
O grito de morte
Do campo lavrado vai-se extinguindo o conhecimento, esvai-se, cai em desuso; resta vaga lembrança do céu e do lume primitivos. Sob meus pés estende-se um tapete recém renovado de piche, o cheiro de alcatrão me sobe à face que se contorce em busca de um horizonte. Meus olhos não vêem o nascer do Sol, o pôr do Sol também não vêem, meu crepuscular é doentio, tristemente ornado de arranha céus amontoados. A última poesia me grita aos ouvidos, mas o som estridente do dia e da noite não me deixa tingir o papel.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Àquele sentimento que não é dado a liberdade devida, adere-se um certo grau de culpa e inexistência, na culpa há a chateação de aspirações reprimidas e desgaste emocional, na parte inexistente, há perda de tempo e prazer, isso em conjunto é aos poucos a própria essência se perdendo, as portas se fecham, as luzes se apagam, um epitáfio insosso...
Somente os sentimentos desnudos fazem valer a pena, se os sentimentos são oprimidos, então tudo vira uma pena do começo ao fim, pois o percurso só é seu, se durante a jornada você for inteiramente verdadeiro consigo mesmo.
Somente os sentimentos desnudos fazem valer a pena, se os sentimentos são oprimidos, então tudo vira uma pena do começo ao fim, pois o percurso só é seu, se durante a jornada você for inteiramente verdadeiro consigo mesmo.
sexta-feira, 9 de março de 2012
O amor é como a música: Ambos são artes em que o silêncio e o som são intercalados.
Olhos refletidos em outros olhos, calor transferido e multiplicado, bordados feitos na pele com a ponta dos dedos... A música serve de fundo para sussurros indecentes, Fala-se o que quer, faz-se o que quer, ama-se o quanto pode.
A ausência é agulha a espetar a carne e a dar choque nos nervos, a perfurar a carne seca. a ausência é até o vestido a sentir-se só no chão do quarto, e o café a perder o gosto, é o noticiário te dizendo que a vida não é um sonho e você se recusando a ter pesadelos.
A ausência é agulha a espetar a carne e a dar choque nos nervos, a perfurar a carne seca. a ausência é até o vestido a sentir-se só no chão do quarto, e o café a perder o gosto, é o noticiário te dizendo que a vida não é um sonho e você se recusando a ter pesadelos.
Não é boneca?
-Ela não entende muita coisa, mas eu explico as minúcias com delicadeza...
(Meus dedos dançam involuntariamente sem um instrumento para senti-los.)
-Já é hora de voltar! Levo flores insensatas, mas quem precisa de prudência quando se tem o amor para explicar qualquer gesto ou pensamento?! Elas foram colhidas no jardim entre a realidade e um delírio inocente, não foi o sr. doutor quem me aconselhou a abandonar as ilusões aos poucos? Quando eu estava na fronteira vi uma luz muito forte e caminhos de pedra, e um jardim com flores, as mais bonitas apanhei para dar a ela, espero ser recebido com afeto ou talvez eu regrida e volte para o outro lado da fronteira.
Em busca de um elo
Sem sintonia.
- Está tudo bem?
Não há resposta certa, que atravesse o dizer por palavras ocas e de despacho.
Nos quadros mais abstratos há retalhos de um ser em contato com o que ele ainda não descobriu.
No cheiro da cidade está a minha reflexão sobre um mundo de múltiplos destinos e vacilos. Sei que existe algo menos absurdo que o nada para formar um conjunto com o que eu sinto, os sentimentos nascem de eventos e coisas, eu quero acreditar nisso, então possibilidades mais melancólicas eu descarto. São coisas em mim que brotam de coisas que estão lá fora, por aí... esperando que o vento as canalize para mim, enquanto isso, não há o todo, falta algo, não há um conjunto e nem história. O gosto das canções está no meu lenço, é um sabor salgado de lágrimas livres e bobas, é um pouco do gosto de coisas que deixei ir, e o sabor de tudo que anseio, o resto pode ser sorriso, mas que seja puro, descontraído, ou até mesmo intenso, mas que eu sinta, e que seja contraste vergonhoso para as lágrimas que querem cair, que brilhe os olhos, que se expandam os lábios em ginástica preguiçosa sobre a face alegre.
Os retalhos se estilhaçam e caem das molduras, os detalhes escorrem pelas paredes, manchando o branco de intenções humanas e muito íntimas.
- Está tudo bem?
Não há resposta certa, que atravesse o dizer por palavras ocas e de despacho.
Nos quadros mais abstratos há retalhos de um ser em contato com o que ele ainda não descobriu.
No cheiro da cidade está a minha reflexão sobre um mundo de múltiplos destinos e vacilos. Sei que existe algo menos absurdo que o nada para formar um conjunto com o que eu sinto, os sentimentos nascem de eventos e coisas, eu quero acreditar nisso, então possibilidades mais melancólicas eu descarto. São coisas em mim que brotam de coisas que estão lá fora, por aí... esperando que o vento as canalize para mim, enquanto isso, não há o todo, falta algo, não há um conjunto e nem história. O gosto das canções está no meu lenço, é um sabor salgado de lágrimas livres e bobas, é um pouco do gosto de coisas que deixei ir, e o sabor de tudo que anseio, o resto pode ser sorriso, mas que seja puro, descontraído, ou até mesmo intenso, mas que eu sinta, e que seja contraste vergonhoso para as lágrimas que querem cair, que brilhe os olhos, que se expandam os lábios em ginástica preguiçosa sobre a face alegre.
Os retalhos se estilhaçam e caem das molduras, os detalhes escorrem pelas paredes, manchando o branco de intenções humanas e muito íntimas.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
O que há de novelístico ou de paródia romanesca em mim é aquilo que está na novela não por acaso, mas por sensibilidade de alguém absorto na realidade mais crua.
É bem provável que qualquer vestígio de cólera de Raskolnikov nas minhas faces amareladas seja algo além de minha essência natural, ou simplesmente quem sabe o meu modo de ter no fundo, esperança. Se me descubro no trágico de novelas e romances, o fato é na verdade, que o drama já estava previamente assentado nos meus conceitos, não é algo que trago de herança sanguínea, mas algo que por desventura adquiri dos eventos deste imenso palco onde se vive. Se é crise existencial, não surgiu por questões íntimas e pessoais, mas por força de assuntos que não posso escolher se me dizem respeito ou não, porque indubitavelmente e inevitavelmente passam por mim todos os dias deixando perguntas e mais perguntas, e por fim, insatisfação, mesmo que haja tantos eufemismos nos jornais, mesmo que tudo hoje tente me cegar, o ultraje do mundo inteiro chega até mim. Mesmo o meu modo de ter esperança e todas as teorias para uma nova reorganização do planeta não me deixam sentir prazer em ser parte disso que forma ao meu redor, o que vejo como um vórtice gigante.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
The end
Depois da última decisão, não me resta mais aquela que fui, a última decisão que foi a despedida definitiva levou sonhos e fatos consumados, o telefone toca e ainda não tenho dignidade o bastante pra atender, é muito vil chegar-se ao ponto de admitir a própria falta de dignidade, as cortinas vão permanecer fechadas e eu continuarei mergulhada no calor de cômodos cercados por paredes indiferentes, a pilha de livros de auto ajuda não pode fazer nada por mim, não encontro com facilidade um sentimento qualquer que se eleve, se expresse e se faça notável de modo satisfatório, sei que minha imaginação pode me salvar disso, mas não posso me esquivar do que é real, eu sonho com palavras suaves e sinceras, e nos meus sonhos a cor dos lençóis é mais viva, sonho e já não sei se é sonho ou deja vu, quando abro os olhos e vejo opacidade e solidão, é um choque de rigidez mórbida, as lágrimas que caem nas minhas mãos vazias formam um rio inegável de modos como devo proceder e como minha figura está patética, eu olho o teto vazio, os copos vazios, os quadros em branco, os CDs virgens, os cadernos sem os meus rabiscos, sobre minha casa parece ter um toldo de negatividade, a minha inexpressão diante da vida diz que já morri, mas a imaginação não me deixa admitir certos fatos, sem razão mas com muito amor, vivo no outro mundo que terminou, e me pergunto como podemos ser tão simplórios a ponto de criar um mundo à parte e acreditar tão fortemente no sucesso de projetos emocionais? é tão ingênuo, é tão depreciativo, mas a gente crê, e parte da gente morre quando esse mundo se acaba, e então devemos conformar com o mundo verdadeiro onde coisas suaves e sinceras são penosamente raras.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Limite
E se eu quiser acreditar em uma história que poderia ser, onde eu e você estamos sorrindo e sendo um complemento perfeito? Se eu quisesse fundo, se eu quisesse e fosse leve, mas sou densa e sou feita de substâncias tiradas dos solos empeirados de terras inóspitas, sou um pouco de todas as sensações e não sei exatamente se é infeliz esse mundo de sensações às vezes corrosivas... Mas trago um pouco de cada e cada dia uma se sobressai em minha natureza desordenada. Sou parte de água salgada e parte de algas flutuantes, sou parte de lugares tão isolados de arvores imponentes e troncos robustos, sou parte da sujeira que é feita no mundo a cada instante, sou parte daquilo que te faz feliz e no entanto firo seu coração com uma brasa desnecessária e pouco a pouco permanente, se eu pudesse acreditar em uma história minha e sua simultaneamente talvez não deixasse os sorrisos para trás com tanta frequência, e aqueles que talvez me venham na vida um dia me chegassem como uma brisa fresca de antecipação, todas as manhãs, e me levasse ar ao pulmão tão atrapalhado, que ora respira fundo, ora entrecorta o curso do ar.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Minha
É importante pra ela ser a primeira, mas se não for a primeira, ela quer ser diferente de tudo que a precedeu. Ela é moderna e vive embalada por um som que é só seu, ela não é sempre criativa mas é sempre ela, e até perde muitas oportunidades de ser melhor, ela tem dúvidas sobre em que crer mas ela acredita em si própria e isso a gente vê. Ela tem mãos finas e dedos delicados, mas o som que vem do seu carro é perturbador. Ela parece frágil mas uma nuvem de eletricidade está sempre à sua volta. Ela conhece os caminhos, e sabe usar as suas armas mais poderosas, ela tem segurança com as palavras e com o sexo oposto, não importa de onde ele tenha saído, ela olha com descaso, ela presta atenção, ela me dá a mão e perde o controle um instante, isso é quando seus olhos brilham, e eu sei que se ela não liga depois é porque ela sente saudade, quando se sente segura novamente, ela liga e a gente sai por aí, os seus cabelos ao vento gritam a liberdade que ela quer sempre ter, mas o brilho nos olhos a trai às vezes, e me dizem que parte dela pertence a mim. É tudo que eu preciso, fora isso os ventos podem soprar, porque esse vento nunca poderá tê-la por completo. Nós achamos um jeito de ela ser feliz assim, como uma combinação inusitada de uma natureza feminina que ninguém jamais terá. Ela é assim, parte minha, parte do vento, e entre nós ela canta, ela balança, ela se despedaça e se junta, e um líquido ácido que causa vertigem escorre de seus lábios rubros. sutil como uma borboleta ela flutua sobre essa terra, indigna de seus pezinhos, com a leveza enfeitada das poesias parnasianas, com um sopro de vida que não é tão denso nos outros seres que já encontrei, e mesmo se ela se vai, sei que é minha.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Grandes Corações
Me perco no tempo e na história, pensando em muitas respostas de que o meu mundo precisa, às vezes penso que dependo de respostas que nunca vou receber e a vida para por aí, mas a natureza revê cada raiz dos meus tormentos e me faz reinventar as perguntas, de modo que posso pisar, posso dizer, eu vejo o que esse espaço tão pequeno do cosmo tem pra me dizer com o voar das coisas leves e com a complexidade de impressões compactas. A pequenez espanta meu coração grande, ele que é um navio, que só conhece mares vastos e profundos e com vidas estranhas que deslizam por entre as águas, ele que desconhece as complicações e que conhece as grandiosidades de outros corações, fico cego, delibero e me escondo, mas a vida me mostra que a grandeza dos corações não precisa se oprimir, ele pode seguir mesmo sem ter muito lugar para ancorar sua imensidão, ele pode ser grande mesmo, porque nada poderá limitar seu espaço.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
O explícito e o oculto
Se tem algum lado positivo isso de deslizar sobre ondas que supostamente representam diversas realidades?
Poder me satisfazer com uma realidade que não existe, onde não há júbilo mas também não há tristeza pulverizada por todos os cantos, não sofro degredo em parte alguma, porque não há terras as quais eu possa um dia pertencer. Represo todas as sensações que me veem às narinas e aos olhos principalmente quando cerrados e delicio um futuro inteiro com essas coisas que nascem no subconsciente mais oculto e que não obstante estão a solta pelo próprio ar, arregaladas para quem quiser captá-las, para quem quiser senti-las, e um coração que ama, é bem capaz de represar tudo sem sentir qualquer aperto.
Não é preciso, não, não é melhor mergulhar no explícito mais explícito, quando um mundo novo pode nascer a todo instante dentro das veias,e cá fora, deixo morrer as sensações mais vazias, e aqueles olhos vazios, uma vez penetrados por mim, não os olho nunca mais se não para sentir pavor ora ou outra.
Poder me satisfazer com uma realidade que não existe, onde não há júbilo mas também não há tristeza pulverizada por todos os cantos, não sofro degredo em parte alguma, porque não há terras as quais eu possa um dia pertencer. Represo todas as sensações que me veem às narinas e aos olhos principalmente quando cerrados e delicio um futuro inteiro com essas coisas que nascem no subconsciente mais oculto e que não obstante estão a solta pelo próprio ar, arregaladas para quem quiser captá-las, para quem quiser senti-las, e um coração que ama, é bem capaz de represar tudo sem sentir qualquer aperto.
Não é preciso, não, não é melhor mergulhar no explícito mais explícito, quando um mundo novo pode nascer a todo instante dentro das veias,e cá fora, deixo morrer as sensações mais vazias, e aqueles olhos vazios, uma vez penetrados por mim, não os olho nunca mais se não para sentir pavor ora ou outra.
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