sexta-feira, 9 de março de 2012

Em busca de um elo

Sem sintonia.
- Está tudo bem?
Não há resposta certa, que atravesse o dizer por palavras ocas e de despacho.

Nos quadros mais abstratos há retalhos de um ser em contato com o que ele ainda não descobriu.

No cheiro da cidade está a minha reflexão sobre um mundo de múltiplos destinos e vacilos. Sei que existe algo menos absurdo que o nada para formar um conjunto com o que eu sinto, os sentimentos nascem de eventos e coisas, eu quero acreditar nisso, então possibilidades mais melancólicas eu descarto. São coisas em mim que brotam de coisas que estão lá fora, por aí... esperando que o vento as canalize para mim, enquanto isso, não há o todo, falta algo, não há um conjunto e nem história. O gosto das canções está no meu lenço, é um sabor salgado de lágrimas livres e bobas, é um pouco do gosto de coisas que deixei ir, e o sabor de tudo que anseio, o resto pode ser sorriso, mas que seja puro, descontraído, ou até mesmo intenso, mas que eu sinta, e que seja contraste vergonhoso para as lágrimas que querem cair, que brilhe os olhos, que se expandam os lábios em ginástica preguiçosa sobre a face alegre.

Os retalhos se estilhaçam e caem das molduras, os detalhes escorrem pelas paredes, manchando o branco de intenções humanas e muito íntimas.

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