sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
The end
Depois da última decisão, não me resta mais aquela que fui, a última decisão que foi a despedida definitiva levou sonhos e fatos consumados, o telefone toca e ainda não tenho dignidade o bastante pra atender, é muito vil chegar-se ao ponto de admitir a própria falta de dignidade, as cortinas vão permanecer fechadas e eu continuarei mergulhada no calor de cômodos cercados por paredes indiferentes, a pilha de livros de auto ajuda não pode fazer nada por mim, não encontro com facilidade um sentimento qualquer que se eleve, se expresse e se faça notável de modo satisfatório, sei que minha imaginação pode me salvar disso, mas não posso me esquivar do que é real, eu sonho com palavras suaves e sinceras, e nos meus sonhos a cor dos lençóis é mais viva, sonho e já não sei se é sonho ou deja vu, quando abro os olhos e vejo opacidade e solidão, é um choque de rigidez mórbida, as lágrimas que caem nas minhas mãos vazias formam um rio inegável de modos como devo proceder e como minha figura está patética, eu olho o teto vazio, os copos vazios, os quadros em branco, os CDs virgens, os cadernos sem os meus rabiscos, sobre minha casa parece ter um toldo de negatividade, a minha inexpressão diante da vida diz que já morri, mas a imaginação não me deixa admitir certos fatos, sem razão mas com muito amor, vivo no outro mundo que terminou, e me pergunto como podemos ser tão simplórios a ponto de criar um mundo à parte e acreditar tão fortemente no sucesso de projetos emocionais? é tão ingênuo, é tão depreciativo, mas a gente crê, e parte da gente morre quando esse mundo se acaba, e então devemos conformar com o mundo verdadeiro onde coisas suaves e sinceras são penosamente raras.
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