terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Essência e frasco

Tenho uma chama acesa do lado de dentro e uma acesa do lado de fora...
A de dentro é tão persistente que reflito sobre eternidade, a de fora é tão fugaz que o tempo, vento e oxigênio a consomem deploravelmente.
Tudo que sinto parece forte de mais para o corpo que me comporta, uma péssima criação para um bom desenvolvimento, um presente mal embrulhado, tal é minha existência, tão frágil porém tão fatal na medida em que se rompe por dentro. Tudo poderia ser posto em um frasco mínimo, mas se extravasa - e olha que as vezes me escapa, perco o controle, e de repente ...- sinto queimar e arder o valor de tudo que existe, o significado de tantas coisas que já busquei ao longo dos anos jorra por todos os canais orgânicos e psicológicos, em uma fração ínfima de tempo a chama de dentro domina tudo, quando abro os olhos, os meus dedos- sim os meus dedos, que são parte de uma embalagem tão cambiável e insignificante,- já apagam uma chama externa, o cigarro repousa morto no cinzeiro.
E cá dentro todavia arde, em menor intensidade, mas a chama arde e é quase eterna.

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