segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sociedade em aborto, pensamentos sem raízes

Antes da porta, uma imagem de civilidade suficiente, descolorida mas natural, após a porta, um sinal de indisposição na marca forte de baba velha de muitas semanas na fronha do travesseiro, e apesar da renite alérgica, asma, bronquite e inflamação constante das amígdalas, sustento persistentemente minha eterna incoerência, e então... pelos de gato pousam asquerosamente sobre todas as almofadas da casa, entremeando o tecido e as linhas da costura, e sobre a superfície de todos os móveis, quase todos totalmente dispensáveis, inúteis.
Um gole de café requentado...
Um trago no cigarro reaceso...
Discursos internos, sentido algum. Algum sentido: Ferrugem na máquina, ferrugem em tudo que o homem faz, oxidação das organizações. Uma prova de robotização e desumanização: A própria burocratização e estupidez do homem incorporada pelo serviço público, e do serviço público levada de volta ao homem inflexível e sem imaginação e terminantemente neutral, nauseabundo e infectado.
Coisas que fazem ninho na minha mente e trazem para dentro das veias a poluição, o ultraje de um mundo inteiro com doenças tratáveis mas sem médicos capacitados. Minha mente fica quase que constantemente cogitabunda, cheia de remendos e feridas mas incansável, ainda que nunca saciada. Os pensamentos são jogados para fora, para sobreviverem como órfãos , sem apoio e quase sempre sem júbilo e anêmicos e muitos morrem de mal de sete dias.

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